Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Quinta-feira, 28.08.2008

Chego tarde e a más horas depois do almoço, ainda ofegante pelos 5 cigarros que insisti em fumar de seguida a compensar os que não fumo de manhã. Trazia na mão a (merda da) Blitz deste mês, uma cópia encadernada do novo livro de contos do melhor escritor de sempre (hi hi hi), o maço de tabaco com o isqueiro a fugir para o chão e a mão esquerda enfiada na mala (saco de praia, no fundo) à procura das chaves do escritório.

 

O rabo de cavalo que fiz de manhã é nesse momento uma versão filho-mais-novo-mutante, os óculos de ler caem-me pelo nariz abaixo e a minha roupa não me fica tão bem quanto achei de manhã que ficava, antes de sair de casa. Nisto, no meio desta linda figura, entro a dizer boa tarde ao Sr. P. (senhor da portaria com ar deprimido e muito profundo que lê um livro por dia e desconfio que são todos sobre vampiros) e a tentar sorrir para desculpar a indesculpável falta de compustura com que entro neste edifício de gente fina.

 

Abro a porta do elevador com um pé e atiro-me lá para dentro toda contente. Tenho, ou pelo menos acho que tenho, cerca de 28 segundos para me compôr e encontrar as chaves até chegar lá acima. Nesta altura entram-me dois arquitectos no elevador. Correcção, entram-me no elevador dois tipos giros de morrer que eu sei que são arquitectos porque vão para o andar debaixo do meu. Bonito. Sorrio outra vez e lembro-me que nos filmes as miúdas como eu assim trapalhonas são deliciosas e encantadoras e tento abraçar a minha situação.

 

No meio deste xirimbéu todo o elevador desata a apitar. Aliás, desata a tocar porque parece o som de um telefone. Eu, como nos filmes claro está, digo uma piadola: "Se for para mim não estou". Não tenho graça nenhuma, caraças. Continua a tocar. Ninguém ri comigo. Não me consigo compôr ao espelho com estes dois aqui plantados.

 

Chegamos ao andar deles, saem, sorriem e dizem boa tarde. Aí, já prestes a suspirar de alívio e a desapertar um botão das calças por causa do susto, antes da porta se fechar vejo a mãozinha de um deles ainda a agarrar a porta e a espreitar com a cabecinha. - Sabe, o elevador quando faz este barulho geralmente é porque vai cair ou parar. Boa Sorte!  E fecha-me a porta. Fecha-me a porta! E enquanto dentro do elevador a apitar  estridentemente eu ainda soltei um Meh?! consegui ouvir os risinhos dos dois arquitectos giros à brava e com idade para ter juizo.




4 comentários:
De Stork a 28 de Agosto de 2008 às 22:57
Das histórias mais engraçadas que já li num blog.
E você tem jeito que se farta para escrever. E um género de humor mesmo mesmo fantástico.
Quanto aos seus 'colegas de elevador', tenho pena que não tenha puxado o sabichão pelo pescoço e dito: os elevadores costumam não cair quando lhe entalamos uma coisa na porta.



De Stork a 28 de Agosto de 2008 às 23:00
Ainda lhe digo mais... eu detesto filhos da mãe desse género. Para quê um Hugh Grant no elevador quando há algures um Colin com maneiras.
Trame o tipo da próxima vez que o encontrar. Diga-lhe que ele tem as calças molhadas atrás.


De Johnny T. a 29 de Agosto de 2008 às 13:04
(faz um waka waka waka com a guitarra)

"who's that cute litle sexy girl who's got stuck on the elevator with archtects driving them completely mad???

La_Jooooonh!!!!

your daaaam right!"



De Domesticada a 2 de Setembro de 2008 às 17:58
Hoje almoçaram ao meu lado na esplanada onde alegremente almoço sozinha c. Fiz-lhes cara de pescada, eles olharam para a nódoa da minha camisa. Continuo a ser um sucesso.


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