Quinta-feira, 2 de Abril de 2009
Quinta-feira, 02.04.2009

 

Não há neste momento em todo o mundo uma pessoa com uma visão como a de Kanye West. Quem não o conhece, ou quem acha que ele é apenas um cantor de Hip-hop, rapper ou algo do género, por favor façam a gentileza, para vosso próprio bem, de ouvir pelo menos uma vez (se conseguirem) o Flashing Lights(Graduation), o Love Lockdown (808s) , Streetlights (808s) ou mesmo o The Good Life (Graduation).

 

Aliás, aliás, eu recomendo a leitura deste post ao som dele, pelo-amor-de-Deus!

 

 

 

Ok, vamos a isto. Primeiro post sobre o Kanye na série de muitos que aí vêm.

 

O 808s foi gravado no decurso de 3 semanas (três!) imediatamente após a morte acidental da mãe de Kanye. A voz foi gravada e remasterizada em Auto-tune e todo o album foi feito numa Roland TR-808 :

Não posso dizer mais nada tecnicamente sobre este album porque não tenho qualidades para isso. Mas posso afirmar com muita segurança que este é o album Pop da década. Vou repetir, que é para ninguém pensar que estou a ser exagerada:

 

O 808s and Heartbreak é o album pop da década. E como tal, o 808s é arte.

 

Começa por um Say you Will, tão sofrido, tão comedido e tão tímido, que tememos a todo o segundo a chegada do heart break. Porque o coração ainda não se partiu em Say you Will, o coração está simplesmente a sangrar, pingo por pingo, docemente a tentar que reparem nele. Mas é logo a seguir, em Welcome to Heartbreak que o caldo entorna. Kanye dá início ao circo da dor e impacto que é o album, apresentando-nos à personagem principal: o pobre menino rico (ele) que se mete com as miúdas erradas, gasta dinheiro estupidamente e conseguiu tudo o que queria na vida. Quem não conheça a arte de Kanye facilmente se indignaria. Mas uns minutos de atenção é suficiente para se entender o seu universo. Heartless vem a caminho, com rancor, mostrar-nos com balanço que uma mulher é um demónio, mesmo quando é uma deusa, e a apoteose muda chega com Amazing, onde nos encontramos dentro da cabeça de Kanye em palco, a ouvir a musica ao longe e a assimilar a nossa propria influencia no público. E aqui muda o disco, entra Love Lockdown, uma musica tribal africana minimalista. Não consigo dizer mais, oiçam-na e julguem o homem. (ele finge que não, mas adora ser julgado).

 

Quando o riso de Paranoid entra pelos nossos ouvidos, não há ninguém que consiga ficar sentado. Kanye obriga-nos a celebrar com ele a existência de pessoas loucas, que continua em Robocop, música que estou 100% convencida ser sobre a Lohan.

 

Streetlights dá vontade de chorar de tamanha beleza que é, e muito sinceramente, restaurou a minha fé na música actual. De tal maneira que, para mim, Bad News, See you in My Nightmares e Coldest Winter são extensões naturais da mesma música, e um final épico para uma obra de arte deste tamanho.

 

 

Não me levem a mal a descrição exaustiva, mas estou em crer que Kanye é aquilo que vai fazer a ligação entre o presente (o estado de merda em que a música pop está), e o futuro genial que nos espera. A verdadeira tragédia do nosso tempo é a morte da originalidade. E , enquanto fazia o seu luto, Kanye encontrou-a.

 

 

 

 




1 comentário:
De Miss G a 2 de Abril de 2009 às 15:33
Gosto muito do Kanye e da forma como ele reinventa a música, uma lufada de ar fresco para o pop r&b.
vou certamente ler/ouvir, como sugeres.


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