Terça-feira, 21 de Abril de 2009
Terça-feira, 21.04.2009

 

 

 

Sabem daqueles dias. Sabem, né? Dias assim de alvoroço em que tudo nos liga, tudo nos quer (mal), tudo nos questiona. Ontem tive um desses. Andei a mil e fiz mil coisas. Quando estavam as mil coisas feitas aperece meia coisa para fazer, mais cmplicada que as outras mil juntas. Às tantas tive de ir atravessar a cidade por causa de uma assinatura.

 

(Não tenho carta de condução. Eu sei que devo dizer isto post-sim post-não. Mas não tenho, não me chateiem, é fixe não ter. Ou seja ando muito de taxi, que andar de transportes deprime-me um bocado. Às vezes chego a não ter dinheiro para comprar pão. Mas ando de taxi, gosto muito, não me chateiem, é fixe andar de taxi. Além da experiência social que comporta, e de me consolar falar com alguém no caminho já que trabalho num sitio onde ninguém fala o dia todo, andar de taxi é a coisa mais cómoda do mundo, não me chateiem) 

 

Maneiras que fui de taxi atravessar a cidade buscar a assinatura. Ao chegar trazia uma pastinha muito larilas, uma gabardine na mão porque em 2009 o tempo é cretino e nunca se sabe o que o cabrão vai fazer, a minha mala cheia de coisas fixes tipo o termo do café, as chaves do escritório na mão (com um urso panda de porta chaves que me calhou num ovo kinder gigante) e o troco do taxi. Muito nervosa porque não tenho tempo para nada, fiz cara de coelho e disse I'm late, I'm late! e atirei com a porta do taxi para fechar.

 

A parte engraçada desta história é que deixei lá o dedo. O polegar. Na porta do taxi. Fechada. Isto é mais uma daqueles histórias que não interessam nada, eu sei. Foi o costume. Gritei um palavrão, atirei com tudo para o chão muito dramaticamente, uma senhora veio ajudar-me e eu disse-lhe que estava tudo muito bem obrigada, fingi que podia ignorar a dor lancinante que sentia do polegar até à orelha direita e voltei para o trabalhinho.

 

Agora sofro muito (por esta altura já entrou a parte mais calminha da musica, espero) e tenho uma unha toda preta que cairá eventualmente, para nojo de todos os que me rodeiam. E é assim, não há moral da história. Acho eu. Se calhar tenho de me acalmar um bocado. De há um ano para cá conta-se um atropelamento, uma queda de escadas, um entalão no polegar, várias queimaduras de cozinha e vertigens mensais.

 

Dói-me tanto. 

 

P.Ps. Entretanto a senhora do meio, caso perguntem, não é a Júlia Pinheiro.


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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008
Segunda-feira, 29.12.2008

 

 




Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
Segunda-feira, 13.10.2008

Quando entrei para o 5º ano, para a escola que seria a minha até ao 12º, sofri bastante. Qualquer pessoa, aliás, que entrasse no 5º ano naquela escola sofria bastante. Na fila para a "menina" para ir comprar folhados mistos levávamos uns socos nas costas dos grandes, na fila para o almoço os grandes passávam-nos à frente, na carrinha tropeçávamos nas rasteiras dos grandes à saída, e à noite sonhávamos que os grandes nos queriam matar.

 

Os grandes tinham mais um ano que nós. E estou em querer que havia praticamente um grande para cada um de nós. Eu tinha uma, uma grande grande. Hoje chamam-lhes bullys mas acho que é só pelo gozo de nos por todos a dizer bullying que é uma palavra muito engraçada de dizer.

 

A minha grande traumatizou -me de tal forma que há cerca de um ano, numa fila para pagar as bebidas numa dicoteca me passou à frente, e eu não só não fui capaz de dizer nada como mordi o lábio inferior para não desatar a chorar que nem um bebé. Teria sido um espectáculo maravilhoso.

 

Quis a conjuntura da situação contextual que nos viéssemos a encontrar num casamento agora, e que ficássemos na mesma mesa, coisa que temi que fosse acontecer e daí ter começado a emborcar gin tónicos praticamente à saída da igreja. Quandfo me pediu um cigarro olhei para o meu JT com olhos mareados como quem diz ela está a falar para mim, salva-me, ao que o JT responde prontamente (é o meu herói) que eu não lhe dava cigarros coisa nenhuma porque ela era uma cabra para mim quando eramos pequenas. Como estávamos todos bem bebidos rimos bastante, dei o cigarro à rapariga e fomos falar de fusões e aquisições para a varanda.

 

Umas horas mais tarde, ainda estupefacta comigo própria por ter estado a falar de mercados e da crise financeira com a minha grande, entro na casa de banho para ir tentar esconder a 5ª malha do meu collant. Oiço um grunhido a vir da única casa de banho que estava ocupada e deparo-me com um quadro de decadência que tenha eu 80 anos não me vou esquecer. A minha bully, completamente de rastos com a bebida, postrada entre duas paredes a vomitar como se não houvesse amanhã, e a pedir-me ajuda. Apressei-me, disse claro, claro, fui buscar uns dodots para se limpar e tirei uns 5 segundos para respirar fundo.

 

Dei-lhe o paninho, deixei-a entregue e saí. Ao sair ainda me cruzei com uma outra grande, a grande de uma pobre coitada da minha idade certamente, e que ia em auxilio da amiga, que ainda ouviu os meus maquievélicos hihihihi.


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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Quinta-feira, 28.08.2008

Chego tarde e a más horas depois do almoço, ainda ofegante pelos 5 cigarros que insisti em fumar de seguida a compensar os que não fumo de manhã. Trazia na mão a (merda da) Blitz deste mês, uma cópia encadernada do novo livro de contos do melhor escritor de sempre (hi hi hi), o maço de tabaco com o isqueiro a fugir para o chão e a mão esquerda enfiada na mala (saco de praia, no fundo) à procura das chaves do escritório.

 

O rabo de cavalo que fiz de manhã é nesse momento uma versão filho-mais-novo-mutante, os óculos de ler caem-me pelo nariz abaixo e a minha roupa não me fica tão bem quanto achei de manhã que ficava, antes de sair de casa. Nisto, no meio desta linda figura, entro a dizer boa tarde ao Sr. P. (senhor da portaria com ar deprimido e muito profundo que lê um livro por dia e desconfio que são todos sobre vampiros) e a tentar sorrir para desculpar a indesculpável falta de compustura com que entro neste edifício de gente fina.

 

Abro a porta do elevador com um pé e atiro-me lá para dentro toda contente. Tenho, ou pelo menos acho que tenho, cerca de 28 segundos para me compôr e encontrar as chaves até chegar lá acima. Nesta altura entram-me dois arquitectos no elevador. Correcção, entram-me no elevador dois tipos giros de morrer que eu sei que são arquitectos porque vão para o andar debaixo do meu. Bonito. Sorrio outra vez e lembro-me que nos filmes as miúdas como eu assim trapalhonas são deliciosas e encantadoras e tento abraçar a minha situação.

 

No meio deste xirimbéu todo o elevador desata a apitar. Aliás, desata a tocar porque parece o som de um telefone. Eu, como nos filmes claro está, digo uma piadola: "Se for para mim não estou". Não tenho graça nenhuma, caraças. Continua a tocar. Ninguém ri comigo. Não me consigo compôr ao espelho com estes dois aqui plantados.

 

Chegamos ao andar deles, saem, sorriem e dizem boa tarde. Aí, já prestes a suspirar de alívio e a desapertar um botão das calças por causa do susto, antes da porta se fechar vejo a mãozinha de um deles ainda a agarrar a porta e a espreitar com a cabecinha. - Sabe, o elevador quando faz este barulho geralmente é porque vai cair ou parar. Boa Sorte!  E fecha-me a porta. Fecha-me a porta! E enquanto dentro do elevador a apitar  estridentemente eu ainda soltei um Meh?! consegui ouvir os risinhos dos dois arquitectos giros à brava e com idade para ter juizo.




Quarta-feira, 23 de Julho de 2008
Quarta-feira, 23.07.2008

A motherfucking ironia disto tudo é que fui para Direito , como todas as outras alminhas, para fugir à matemática. E hoje estou aqui a nadar em contabilidade e thisclose a ser detentora da profissão mais entediante do mundo. Bem vistas as coisas eu também fugi do Direito, se calhar mereço tudo o que de mal me aconteça.

 

Isto é um problema que não é problema se eu vivesse feliz na redoma do trabalhinho do dia-a-dia, dos hobbies de ir ao ginásio e correr à beira rio e... não quero parecer uma cretina e criticar quem o faça. Isto da vidinha é um problema quando se finge não ter vidinha, e pronto.

 

Eu explico (os blogs também servem para desabafos, certo?). Tenho trabalhado com uma banda, estamos a ter um feedback maravilhoso, já com um pseudo-agente e maquetes nas editoras e o whole shebang. A coisa começa a prometer e a nossa posição no myspace em Portugal até é porreira (sim, eu ligo a essas coisas, é o business e tal). Acontece que começo a ter reuniões e essas coisas. Somos 3. Dois miudos super cool e uma miuda que parece uma tipa muito New Age-epicurista-carpediem e isso tudo (que sou eu).

 

Eles os dois estudam em cursos cool, têm imenso tempo para "criar" e são coerentes. A mim perguntaram-me o que fazia da vida (repararam que era claramente mais velha e que alguma coisa tinha de pagar as minhas sandálias hippie-chic da Timberland). "Ah, eu sou secretária."

 

Silêncio muito constrangedor. Daqueles à western em que passam tufos redondos de raminhos a rolar com o vento, à nossa frente. " Portanto a John tem um nine-to-five?" Eh pá, porra, a verdade é que tenho, mas faz parte do meu plano. Tenho um nine-to-five   porreirinho que me paga as contas, e tenho o resto do dia e do fim-de-semana para poder "criar" e cantar e escrever e namorar, e pronto. É um plano.

 

Mas caramba, a motherfucking ironia. Eu não quero ser uma Secretária-que-canta-numa-banda-conhecida. Nem tão pouco a Cantora-que-durante-o-dia-é-secretária. E por tudo o que consideram sagrado, eu não quero acima de tudo ser uma Administrativa.

 

De repente dou de caras com um parágrafo maravilihoso do Hunter S. Thompson, do Kingdom of Fear:

 

I am a confused Musician who got sidetracked into this goddamn Word business for so long that I never got back to music (...) Who knows why? Maybe I just feel like singing so I type.




Terça-feira, 25 de Março de 2008
Terça-feira, 25.03.2008

O que ocorre é um vazio enorme, uma incompletude do ser. A triste  verdade que não tem piada nenhuma. Nada disto tem piada nenhuma, o que acaba por ter imensa graça. Num segundo (naquele segundo depois de me apalpar a mim própria e ver que estava viva, mas antes do segundo em que gritei pela rosie no chão como duas mutiladas num campo de batalho no iraque) nesse segundo caí em mim pela primeira vez na vida. A primeira vez na vida!

 

Vi-me como sempre me devia ter visto, como alguém que deixa tudo a meio. E como alguém que tem 26 anos e se morresse ali não deixava absolutamente nada feito. Isto sempre foi uma coisa de que me orgulhei. Deixei o curso porque não gostava, sou a maior. Tive empregos de merda porque me apeteceu, sou a maior. E tinha piada. Até àquele momento, em que o mundo se alinha para dizer: the joke is on you. E isto tem imensa piada. Porque eu sei, tenho a certezinha absoluta, que apesar de nunca querer voltar a sentir isso outra vez, e de saber que me foi dada uma segunda oportunidade para jogar isto a sério, eu não vou fazer nada em relação a isto. Nadinha.

 

Há pessoas que começam a ter aulas de danças de salão e sapateado, começam a ter um hobby, a colecionar pacotes de açúcar... Há pessoas que mudam de marido, que vão dar a volta ao mundo ou que fazem voluntariado. Há até, no universo desta gente estranha que são os que viram a morte a chegar, há até aqueles que se juntam, uns aos outros, para partilhar o trauma e sentir que não estão sozinhos. Abençoados, todos.

 

Eu vim trabalhar, para o meu empregozinho de merda. E vou almoçar ao restaurantezinho de merda onde ia almoçar no diazinho de merda em que fui atropelada, e vou provavelmente atravessar a mesma passadeira e esperar outra vez pelo sinal verde e passar menos confiante a estrada. E vou voltar à minha casinha de merda, num 5º andar, com o elevador por arranjar. E não vou fazer nada por mudar.

 

E isto tem imensa piada. Porque na verdade, eu adoro a minha casinha, o meu trabalhinho, os meus almocinhos. Eu adoro tudo isto que sou, com 26 anos, incompleta e incapaz de terminar as coisas. Mais uma vez, caramba, eu adoro a puta da vida.

 


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Segunda-feira, 24 de Março de 2008
Segunda-feira, 24.03.2008

Seria de pensar que ter uma experiência de quase-morte ou que raio foi, me desse uma perspectiva nova sobre a vida. Deu-me uma perspectiva nova sobre a rua onde trabalho, realmente. Vista de cima em voo. E aprendi que quando se acha que se vai desta para melhor a vida não nos passa à frente dos olhos, mas a unica coisa que ocorre é um palavrão gritado a alto e bom som. A minha ultima palavra teria sido um "caraaaaaaaaaaaaaaaalho". Lindo fim.

 

Ainda não sei o que achar de tudo isto, de ter escapado miraculosamente de um atropelamento estupido que podia ter sido milhões de vezes pior, de ter passado por isto com a minha Rosie, que também levou com um belo Mercedes, de ter pregado o susto da vida dos meus paizinhos e de estar a ser hiper mimada há 4 dias.

 

No meio disto tudo fiquei cheia de vontade de escrever, mas não sei sobre quê. Nem tão pouco sei se devia escrever sobre isto ou não. Desculpem lá o postzinho do queixume. Era só para dizer que estou viva,  que já pego no blog e que adoro a puta da vida!


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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008
Quarta-feira, 02.01.2008

Nunca percebi esta minha vocação, tendência ou que é, para estragar as coisas bonitas e novinhas e limpinhas. Revelou-se desde cedo sempre que me ofereceram cadernos e lápis de cor. A vontade nem era de desenhar, era estragar mesmo. Profanar o belo e pôr um bocadinho de caos na ordem. Isto é a minha explicação lógica/filosófica/racional. Que não faz sentido absolutamente nenhum.

 

Outra explicação possível é eu ser uma estouvada. E isto tem muito mais que se lhe diga. Porque não é só ser estouvada, é ter também uma personalidade com inclinação irresistível para a asneirada. Podia ser estouvada e dar-me para o bem. Mas dá-me para o lado mau da força. Asneiral .

 

Geralmente quando estrago as coisas novinhas em folha as consequências só me afectam a mim. O que seria positivo quando visto de dois prismas: 1º não incomodo mais ninguém, 2º os erros servem para se ir aprendendo a não os cometer. Mas não é.

 

O próprio blog de onde vos falo, esta coisinha linda, foi precisamente uma tentativa de criar uma coisa cheia de possibilidades e desformatada, para eu poder estragar. O gozo que me dá estragar isto. Este post , por exemplo, é mais um gatafunho estouvado a estragar o blog.  Mas tem um propósito.

 

O propósito deste post , cof cof , é avisar os meus amigos, a minha família (que a julgar pelos anteriores ainda cá aparece de vez em quando), o Johnny T., o querido leitor e todos os que me querem bem em geral, que planeio estragar este aninho novo todo. E que comecei a fazer asneira lá para a 00.13.

 

Épi niu ier .

 

 




Sábado, 21 de Outubro de 2006
Sábado, 21.10.2006

Ando para aqui vai-não-vai a ver se escrevo alguma coisa já há uns dias. Quando finalmente me resovo, e tenho as palavras todas a querer brotar de mim como que uma explosão xenical, gasto hora e meia do meu precioso tempo a tentar lembrar a minha cansada cabeça que raio de username me deu para escolher há 3 anos atrás quando resolvi fazer um blogue. Lembrei-me e realmente confirma-se mais uma vez que é um username idiota e muito difícil de lembrar. O que fez imediatamente com que a minha cansada cabeça se esquecesse das tais palavras diarreicas que me iam brotar para o teclado caso ele estivesse desimpedido. Isto tudo para quê? Ah, para ver se reanimo a corcubitácea. Isso.

A quem quer saber, estou viva, de boa saúde, e tudo e tudo. Trabalho é muito, nunca me tinha acontecido. Nunca tinha feito muito de nada, quanto mais trabalho. Mas assim me encontro, a suspirar por uma folga, uma ligação ADSL, um golpe de estado em Espanha... Informações relevantes? Encontro-me num "line of work" em que posso requisitar quaisquer filmes ou discos disponíveis na "loja" para ver/ouvir em casa com a manhosa desculpa de que servem para conhecer melhor o produto em stock. Ando encharcada em filmes e cd's novos. Uma delícia. Passei seis meses no inferno, entretanto. Seis meses numa papelaria. Na fase de regresso às aulas. Estupidifiquei um bocadinho.

Bom, até já.


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Quinta-feira, 23 de Março de 2006
Quinta-feira, 23.03.2006

Há movimentos e rotinas que adquirimos há anos sem fim, sem saber ao certo como os aprendemos e porque raio os começámos a fazer dessa maneira, e que um dia mais tarde voltam para nos amedrontar. Eu passei muito tempo sozinha na minha infância/adolescência. Não é para ter pena de mim (mas se tiverem arranjem-me um emprego), é para perceber que todas as coisas idiotas que julgo fazer muito bem foram provavelmente inventadas numa tarde de domingo qualquer em que estava debaixo da cama. Eu passava muito tempo debaixo da cama. Tinha lá uma arca com livros do triangulo Jota, do clube das chaves e da Agatha Christie, um rádio e muitos enlatados. Eu durante muito tempo achei que o mundo ia acabar assim de repente e que eu tinha de ter enlatados no meu refúgio debaixo da cama porque senão não vivia. Um dia até me chateei com alguém lá de casa e disse que ia sair de casa e fui buscar os enlatados todos. Mas depois dava muito trabalho e voltei para trás toda zangada e fui suspirar a olhar para a foto do meu irmão mais velho. Nunca tive um irmão mais velho, a minha mãe é que me mentia. Eu explico. A determinada altura da minha importante vida (teria uns 6 anos) resolvi pedinchar à minha mãe um irmão mais velho (!). A minha mãe, conhecida por dar respostas à "Pai do Calvin" responde-me prontamente que eu já tenho um irmão mais velho mas não o conheço porque está na tropa. E ia sempre buscar a mesma foto: uma foto dela com um macaco bebé ao colo vestido com uns calções e uma t-shirt. Depois era o costume: eu chorava e dizia que aquilo era um macaco ela respondia que o que ele era é muito peludo. Ser filho único é muito triste. E então lá ia eu toda zangada com o mundo olhar para a foto do meu irmão Manel de cada vez que a vida me corria mal, imaginando quando é que o raio da tropa acabava e se ele já tinha rapado os pêlos. E punha-me a inventar maneiras de apertar os sapatos. Eu não sei apertar sapatos como as pessoas normais, e o pior é que tenho andado a ensinar os meus alunos a apertar sapatos da maneira "errada" e depois os pais queixam-se. E fazer contas, não sei fazer contas de multiplicar.
A coisa complica-se nas tarefas domésticas. Inventei uma maneira de cozinhar de meter asco mas que tem funcionado bem e que implica muita coisa doce misturada com amarga com salgada e tal. Uma badalhoquice, mas para quem cresceu a mastigar caldos knorr enquanto lia as revistinhas da Mônica isso não é nada. Ou a comer sal da máquina. Lá está, nesta a culpa é da minha mãe também. Depois de me ver a rondar o sal para a máquina com vontade de o provar resolveu encher-me uma colher de sopa cheia de sal da máquina e disse: prova, é muito bom, sabe a banana. Bonito ersultado, esse. Depois de cozinhar (uns 3 dias depois, geralmente) lavo a loiça. Eu lavo a loiça muito bem, ela fica limpinha. Deixo a água correr, esfrego bem com a esponja impregnada de fairy e pronto. Ontem disseram-me que eu não sabia lavar loiça. Incrível. Ao que parece o resto do mundo primeiro passa por água, depois passa por detergente e só depois é que tira tudo e põe a escorrer. Essa história de "passar" tudo por água e tal irrita-me. Também não sei usar bem cotonetes nem cortar bem as unhas dos pés. E tenho dificuldades em vestir collants de lycra porque não os enrolo todos, visto como se fossem calças, acho eu, e ponho desodorizante só depois de estar toda vestida.


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Quarta-feira, 22 de Março de 2006
Quarta-feira, 22.03.2006

Vou contar tudo, agora vou contar tudo que já não me aguento no collant tamanho dois. Ando maluquinha com o Lost, maluquinha. Cheguei a jogar no euromilhões esta semana com a treta dos números o que é estúpido por tantas razões que nem vale a pena explicar. Mas história dos números e do suspense todo e o nervosismo que sinto quando vejo cada episódiozinho religiosamente é só para enganar. De quem eu gosto é do Sayid. Que tem o tom de pele perfeito, os ombros perfeitos e o cabelo comprido perfeito. Ontem até se me deu uma coisa porque vi o Sayid e logo a seguir deu a infinita lamechice dos tempos modernos que é o Pacinte Inglês, mas que, enfim, tem o Sayid. Que também se deve chamar Sayid no filme e mesmo que não se chame não interessa, porque ele lava os cabelos ao ar livre com um balde de água e eu estremeço dentro do pijama. Mas vou contar tudo à mesma, e não tem nada a ver com isto. Eu entretanto sonhei com o Sayid outro dia, mas não conto. Eu sonho muito, ou lembro-me de tudo, é uma chatice. Porque depois conto às pessoas, e acho que não deve haver coisa mais entediante no mundo que ouvir outra pessoa a contar a treta dos sonhos. O que ainda por cima geralmente revela coisas sobre a pessoa em questão que outros não deveriam saber, uma chatice. Como quando uma vez conheci o Zé Pedro dos Xutos e lhe disse que tinha tido um sonho erótico com ele. Uma chatice.
Bom, o que eu queria dizer é que tenho escoliose. Isto é muito importante, ter escoliose. Passa-se imediatamente para o lado dos outros. Os outros que já se têm de preocupar com os anos que aí vêm, uma coisa que me deprime sobremaneira. E pior, não posso dizer aos meus alunos de 3 aninhos quando têm um dói-dói e essas expressões imaturas que eles usam, que não os posso pegar ao colinho e dar um mimo porque a minha escoliose agora até está bem mas se a Maria João esticar a corda daqui a uns aninhos a Maria João vai estar acamada a borrar-se nas fraldas porque não consegue mexer a porra da coluna que é mais torta que o feitio dos estudantes franceses. Eu não costumo falar na terceira pessoa à jogador da bola, mas com eles de vez em quando falo porque me dá um certo gozo esbugalhar os olhos e abaná-los e dizer - a Maria joão esteve 6 anos na faculdade de direito para te estar a limpar o rabo, não é giro?!!!
Além disso já não posso ser aeromoça. Eu queria muito ser aeromoça porque me dizem que as aeromoças são extremamente papáveis. Eu uso mais a palavra Camável, mas acho qeu para senhoras não fica bem, é melhor nos homens. Por exemplo: o Sayid é altamente camável. Fica melhor do que: a Alexandra Sofia é camável.

Preciso tanto de um emprego.


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"Personally I'm always ready to learn, although I do not always like being taught." Winston Churchill

mariajoaoso (arroba) gmail.com
 
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