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Célula Estaminal

Célula Estaminal

23
Mar06

Não sei lavar loiça.

Domesticada

Há movimentos e rotinas que adquirimos há anos sem fim, sem saber ao certo como os aprendemos e porque raio os começámos a fazer dessa maneira, e que um dia mais tarde voltam para nos amedrontar. Eu passei muito tempo sozinha na minha infância/adolescência. Não é para ter pena de mim (mas se tiverem arranjem-me um emprego), é para perceber que todas as coisas idiotas que julgo fazer muito bem foram provavelmente inventadas numa tarde de domingo qualquer em que estava debaixo da cama. Eu passava muito tempo debaixo da cama. Tinha lá uma arca com livros do triangulo Jota, do clube das chaves e da Agatha Christie, um rádio e muitos enlatados. Eu durante muito tempo achei que o mundo ia acabar assim de repente e que eu tinha de ter enlatados no meu refúgio debaixo da cama porque senão não vivia. Um dia até me chateei com alguém lá de casa e disse que ia sair de casa e fui buscar os enlatados todos. Mas depois dava muito trabalho e voltei para trás toda zangada e fui suspirar a olhar para a foto do meu irmão mais velho. Nunca tive um irmão mais velho, a minha mãe é que me mentia. Eu explico. A determinada altura da minha importante vida (teria uns 6 anos) resolvi pedinchar à minha mãe um irmão mais velho (!). A minha mãe, conhecida por dar respostas à "Pai do Calvin" responde-me prontamente que eu já tenho um irmão mais velho mas não o conheço porque está na tropa. E ia sempre buscar a mesma foto: uma foto dela com um macaco bebé ao colo vestido com uns calções e uma t-shirt. Depois era o costume: eu chorava e dizia que aquilo era um macaco ela respondia que o que ele era é muito peludo. Ser filho único é muito triste. E então lá ia eu toda zangada com o mundo olhar para a foto do meu irmão Manel de cada vez que a vida me corria mal, imaginando quando é que o raio da tropa acabava e se ele já tinha rapado os pêlos. E punha-me a inventar maneiras de apertar os sapatos. Eu não sei apertar sapatos como as pessoas normais, e o pior é que tenho andado a ensinar os meus alunos a apertar sapatos da maneira "errada" e depois os pais queixam-se. E fazer contas, não sei fazer contas de multiplicar.
A coisa complica-se nas tarefas domésticas. Inventei uma maneira de cozinhar de meter asco mas que tem funcionado bem e que implica muita coisa doce misturada com amarga com salgada e tal. Uma badalhoquice, mas para quem cresceu a mastigar caldos knorr enquanto lia as revistinhas da Mônica isso não é nada. Ou a comer sal da máquina. Lá está, nesta a culpa é da minha mãe também. Depois de me ver a rondar o sal para a máquina com vontade de o provar resolveu encher-me uma colher de sopa cheia de sal da máquina e disse: prova, é muito bom, sabe a banana. Bonito ersultado, esse. Depois de cozinhar (uns 3 dias depois, geralmente) lavo a loiça. Eu lavo a loiça muito bem, ela fica limpinha. Deixo a água correr, esfrego bem com a esponja impregnada de fairy e pronto. Ontem disseram-me que eu não sabia lavar loiça. Incrível. Ao que parece o resto do mundo primeiro passa por água, depois passa por detergente e só depois é que tira tudo e põe a escorrer. Essa história de "passar" tudo por água e tal irrita-me. Também não sei usar bem cotonetes nem cortar bem as unhas dos pés. E tenho dificuldades em vestir collants de lycra porque não os enrolo todos, visto como se fossem calças, acho eu, e ponho desodorizante só depois de estar toda vestida.

23
Mar06

Cá se fazem...

Domesticada
Obrigada pela simpatia à malta que me tem linkado ultimamente: Um Amor Atrevido que pelo que vi escreve o que me apetece muito escrever de vez em quando; o Blog da Coccinella que partilha a minha paixão pelo Sayid; O Pêndulo de Foucault que se põe a pensar nas coisas e na beleza delas; e o Pausa Para Café que já merecia o agradecimento há mais tempo mas que só agora é que me deu para isto.

Se algum de vocês me quiser arranjar um emprego também agradeço.
22
Mar06

Pimba

Domesticada

Vou contar tudo, agora vou contar tudo que já não me aguento no collant tamanho dois. Ando maluquinha com o Lost, maluquinha. Cheguei a jogar no euromilhões esta semana com a treta dos números o que é estúpido por tantas razões que nem vale a pena explicar. Mas história dos números e do suspense todo e o nervosismo que sinto quando vejo cada episódiozinho religiosamente é só para enganar. De quem eu gosto é do Sayid. Que tem o tom de pele perfeito, os ombros perfeitos e o cabelo comprido perfeito. Ontem até se me deu uma coisa porque vi o Sayid e logo a seguir deu a infinita lamechice dos tempos modernos que é o Pacinte Inglês, mas que, enfim, tem o Sayid. Que também se deve chamar Sayid no filme e mesmo que não se chame não interessa, porque ele lava os cabelos ao ar livre com um balde de água e eu estremeço dentro do pijama. Mas vou contar tudo à mesma, e não tem nada a ver com isto. Eu entretanto sonhei com o Sayid outro dia, mas não conto. Eu sonho muito, ou lembro-me de tudo, é uma chatice. Porque depois conto às pessoas, e acho que não deve haver coisa mais entediante no mundo que ouvir outra pessoa a contar a treta dos sonhos. O que ainda por cima geralmente revela coisas sobre a pessoa em questão que outros não deveriam saber, uma chatice. Como quando uma vez conheci o Zé Pedro dos Xutos e lhe disse que tinha tido um sonho erótico com ele. Uma chatice.
Bom, o que eu queria dizer é que tenho escoliose. Isto é muito importante, ter escoliose. Passa-se imediatamente para o lado dos outros. Os outros que já se têm de preocupar com os anos que aí vêm, uma coisa que me deprime sobremaneira. E pior, não posso dizer aos meus alunos de 3 aninhos quando têm um dói-dói e essas expressões imaturas que eles usam, que não os posso pegar ao colinho e dar um mimo porque a minha escoliose agora até está bem mas se a Maria João esticar a corda daqui a uns aninhos a Maria João vai estar acamada a borrar-se nas fraldas porque não consegue mexer a porra da coluna que é mais torta que o feitio dos estudantes franceses. Eu não costumo falar na terceira pessoa à jogador da bola, mas com eles de vez em quando falo porque me dá um certo gozo esbugalhar os olhos e abaná-los e dizer - a Maria joão esteve 6 anos na faculdade de direito para te estar a limpar o rabo, não é giro?!!!
Além disso já não posso ser aeromoça. Eu queria muito ser aeromoça porque me dizem que as aeromoças são extremamente papáveis. Eu uso mais a palavra Camável, mas acho qeu para senhoras não fica bem, é melhor nos homens. Por exemplo: o Sayid é altamente camável. Fica melhor do que: a Alexandra Sofia é camável.

Preciso tanto de um emprego.

21
Mar06

Dia de primavera, dia de poesia...

Domesticada
Dia Mau

Não quis guardá-lo para mim
E com a dimensão da dor
Legitimar o fim

Eu dei
Mas foi para mostrar
Não havendo amor de volta
Nada impede a fonte de secar
Mas tanto pior
E quem sou eu
para te ensinar agora
A ver o lado claro de um dia mau

Eu sei a tua vida foi
Marcada pela dor de não saber aonde dói

Mas vê bem
Não houve à luz do dia
Quem não tenha provado o travo amargo da melancolia
E então rapaz então porquê a raiva
Se a culpa não é minha
Serão efeitos secundários da poesia

Mas para quê gastar o meu tempo
A ver se aperto a tua mão
Eu tenho andado a pensar em nós
Já que os teus pé não descolam do chão

Dizes que eu dou só por gostar
Pois vou dar-te a provar
O travo amargo da solidão

É só mais um dia mau


.....................................Ornatos Violeta, para o Lipe mais Lipe.
20
Mar06

É para este tipo de coisas que serve a internet, acho eu...

Domesticada
Primeiro uma pessoa senta-se ao computador, liga o messenger e vê quem está. Diz-se olá a quem de direito. Ocasionalmente vêm-nos falar pessoas com quem não nos damos há já uns tempos. Dizem olá e passam logo para a seguinte frase: "Descobri aqui um Etíope filho da puta, tu ouve-me isto!"
Resultado? Mulatu Astatke. E não é que o FdP do etíope é mesmo bom? Broken Flowers, lembram-se da banda sonora do Broken Flowers?...
14
Mar06

Tenho aqui o rato meio avariado...

Domesticada
E de repente reparei que escrevi Milosevic mal umas três vezes. É como o Zaovic, Zaovic. Era giro quando tinha barba, de vez em quando. Mas tinha aquele ar de rufia do leste e além disso a minha mãe não aprova que eu goste de gajos que não sejam do sporting, por isso não teria futuro. Pronto, era só para dizer que reparei no erro mas não vou lá emendar porque agora não me apetece, o post também não é assim nada que valha a pena.
Olha, o rato já mexe!
11
Mar06

Ai a juventude, a juventude...

Domesticada

Em 1998 formou-se na Sérvia um movimento juvenil de resistência ao regime dictatorial do seu país, a OTPOR. Composto apenas por membros de uma geração muito nova, a OTPOR serviu-se de slogans cativantes, grafitis e ideias frescas e actuais para combater o pior inimigo da Sérvia de Milosevitch: o adormecimento e marasmo dos cidadãos. As frases pintadas nas paredes eram dotadas de comédia, sarcasmo e inteligência suficiente para acordar as mentes do povo sérvio e dar início à luta. A luta, essa, foi sempre feita por palavras e incentivos, liderada por este grupo de pessoas na faixa dos 20 anos de idade.

Em 2000 a MTV premiou-os com o Free Your Mind Award, antecipando os bons tempos que se adivinhariam. No mesmo ano, graças à OTPOR, Milosevitch seria destronado e posteriormente sentar-se-ia no banco de réus do tribunal internacional da Haia.


Hoje, em França, os estudantes revoltam-se contra o novo código de trabalho que lhes retira o direito a pagamento nos dois primeiros anos de emprego. Uma prova de que, mesmo em regimes democráticos, ainda há pelo que lutar. O resultado foi violento e nada bonito. Nunca nos lembramos que os franceses têm realmente muito mau feitio.


mais sobre a OTPOR
11
Mar06

Don't mind me...

Domesticada
Vou só deixar isto aqui num cantinho para o fim de semana e já cá venho buscar. Shhhhhhhiiiiu.





em>Oh great creator of beings, grant us one more hour to perform our art and perfect our lives.</em>
"Personally I'm always ready to learn, although I do not always like being taught." Winston Churchill
mariajoaoso (arroba) gmail.com

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